Racismo é discutido no curso de Ciências Biológicas


Mais um encontro do II Ciclo de Debates acontece no campus Olezio Galotti

Publicado em 13/5/2019

No dia 13 de maio de 1888, após seis dias de votações e debates no Congresso, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que decretava a libertação dos escravos no Brasil. Após 131 anos, nessa segunda-feira, 13, alunos de diversos cursos se reuniram para debater “O racismo na sociedade e no ambiente escolar”, no campus Olezio Galotti, com Juliana Rodrigues, da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Idosos e Direitos Humanos.

O encontro, promovido pelo curso de Ciências Biológicas Licenciatura, faz parte do II Ciclo de Debates, que tem como objetivo abordar temas relevantes de natureza social que tenham relação com a educação. “O racismo é uma temática discutida com frequência com os nossos alunos, uma vez que todas as competências para a formação dos professores apontam para temas que discutam a igualdade racial, de gênero e social”, explicou o coordenador do curso, Dimitri Alves.

A desigualdade em números

De acordo com dados da PNAD 2018, 63% de estudantes negros ou pardos não estão no nível de escolaridade que deveriam estar. “Ainda hoje vemos pessoas declarando que o racismo não existe, então trazer números para debates, principalmente em âmbito escolar, é fundamental para mudarmos essa conjuntura”, pontuou Juliana.

O desemprego atinge 64,1% de negros e pardos, ainda segundo PNAD, o que estimula a evasão escolar dessas pessoas. “Muitos estudantes precisam trabalhar para auxiliar no sustento da família e, muitas vezes, deixam de estudar para aumentar a jornada de trabalho e poderem contribuir mais com as necessidades domésticas”, continuou.

O que fazer para combater a desigualdade

A conscientização e representatividade são fatores importantes, segundo Juliana. “É fundamental, também, que os professores saibam identificar e agir em situações de evasão escolar, para que haja um incentivo para a continuidade dos estudos desses jovens, além de promover atividades que provoquem a reflexão do tema desde cedo, uma vez que crianças e adolescentes conscientes se tornam adultos conscientes”, completou.

Os futuros professores de biologia estudam desde legislação a elaboração de projetos e aulas associadas a essas pautas, conforme aponta o coordenador. “Com frequência, esses temas vêm para a discussão dos nossos alunos para que eles possam ser formados com essa natureza reflexiva a fim de que eles possam se tornar agentes transformadores da sociedade”, concluiu Dimitri.


Veja Também: